“A arte – sempre – requer irrealidades visíveis. (…) Admitamos o que todos os idealistas admitem: o caráter alucinatório do mundo. Façamos o que nenhum idealista fez: busquemos irrealidades que confirmem esse caráter. (…)

‘O maior feiticeiro (escreve memoravelmente Novalis) seria o que se enfeitiçara até o ponto de tomar suas próprias fantasmagorias por aparições autônomas. Não seria esse nosso caso?’ Eu conjeturo que é assim. Nós (a indivisa divindade que opera em nós) sonhamos o mundo. Nós o sonhamos resistente, misterioso, visível, ubíquo no espaço e firme no tempo; mas consentimos, em sua arquitetura, tênues e eternos interstícios de sem-razão para saber que é falso.”

Em “Avatares da Tartaruga”, ensaio de J. L. Borges em seu livro “Discussão”, de 1932.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s