SOUND SURROUNDS

“SOUND SURROUNDS”. Esta belíssima frase resume a riqueza que é o som. Que maravilhosas palavras de Frances Dyson, no livro “Sounding New Media” (2009) (minha tradução):

“O som é o meio imersivo por excelência. Tridimensional, interativo e sinestésico, percebido no aqui e agora de um espaço incorporado, o som retorna ao ouvinte aquela sensação de estar aqui e agora, engolfado, envelopado, absorvido, enredado, enfim, imerso em um ambiente. O som rodeia [Sound surrounds]. Suas características fenomenais – o fato de ser invisível, intangível, efêmero e vibracional – coordenam com a fisiologia das orelhas, criando uma experiência perceptiva profundamente diferente do sentido da visão dominante. Enquanto os olhos têm um campo visual de 180 graus, projetados na frente do sujeito, as orelhas cobrem uma extensão de 360 graus, ouvindo tudo ao redor. Enquanto os olhos podem ser fechados, bloqueando visões indesejadas, as orelhas não têm pálpebras. Enquanto a visão posiciona o sujeito simbolicamente como o diretor do que vê, sempre olhando à frente e em direção ao futuro, a audição subverte este papel: o ouvinte não pode controlar o que normalmente se ouve, o que é murmurado “atrás das minhas costas”. Imerso no som, o sujeito perde seu ‘eu’ e, de diversas maneiras, perde seu sentido. Como a audição não é um sentido discreto, ouvir é também ser tocado, física e emocionalmente. Sentimos os sons graves vibrarem no estômago e entramos em pânico; sons agudos abruptos nos fazem hesitar involuntariamente; um grito agudo é angustiante: o som tem efeitos físicos óbvios e imediatos. Pela audição, pode-se engajar numa sinergia com o mundo e os sentidos, uma escuta/toque que é a essência do que chamamos de reação visceral – uma resposta simultaneamente fisiológica e psicológica, corpo e mente. Estas características desafiam os fundamentos da metafísica e da cultura ocidental em geral, questionando o status do objeto e do sujeito simultaneamente. Por conta disso, o aural tem sido mutado, idealizado, ignorado e silenciado pelas mesmas palavras usadas para descrevê-lo. ‘Som’ – o termo em si – já é abstrato: há som como há atmosfera; como uma neblina, que desaparece quando se aproxima dela, escapando do discurso assim que encontra a pele. O som, transportando divisões culturais entre linguagem e balbucio, música e ruído, voz e efusões corporais abjetas, resiste à teorização, invocando também noções tecno-gnósticas (emprestando o termo de Coyne) de transcendência que obscurecem as origens culturais e tecnológicas da mídia sonora.”

O livro

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